JUCA FERREIRA >
Ministro da Cultura
27/abr/09 - 20 horas
A CULTURA NAS SUAS DIMENSÕES SIMBÓLICA E ECONÔMICA E O DESENVOLVIMENTO DO BRASIL
O Ministério da Cultura vem trabalhando para equalizar a dimensão simbólica e a dimensão econômica da cultura, pois sabe que está justamente nesta articulação saudável o futuro de nossa formação humana. Principalmente porque acreditamos que este binômio de valoração social dos “bens culturais”, tanto de artefatos quanto de sensibilidades, que produzimos individual e coletivamente, nas nossas comunidades e comunicações, são enormes potenciais que possibilitarão novas formas de desenvolvimento estratégico, à altura dos desafios de hoje.
Nosso desafio contemporâneo é integrar uma enorme parcela de nossas populações e de nossos territórios ao ambiente global, fazendo com que sua conexão seja um fator de valorização de suas próprias tradições, gostos, tecnologias e valores. Sabemos que a sociedade do conhecimento transformou a criatividade numa força produtiva de primeira grandeza e nossos artistas, mestres e criadores são os inventores de futuros negócios e de bens de altíssima demanda agregada na economia mundial.
Para tanto estamos construindo uma gestão pública que seja capaz de remodelar a instituição de governo e as leis que regem o campo cultural a fim de que a expressão e a fruição de todos os cidadãos brasileiros ande ao lado do desenvolvimento de negócios e a geração ampla de renda. A crise atual em que se vê metida nossa civilização, a economia global e os ambientes sociais é um sintoma para o qual a transformação dos parâmetros em que enxergamos a “cultura” será um dos principais remédios, também um antídoto profundo a seus males. É o que pode evitar o colapso do organismo humano e de sua complexidade histórica.
AMYR KLINK >
Navegador e Escritor
25/mai/09 - 20 horas
A CRIATIVIDADE COMO EMPREENDIMENTO NO MUNDO MODERNO
Amyr Klink considera que é preciso viajar. A viagem, mesmo sendo uma atividade isolada, não é solitária. A navegação para ele traz a sensação de alívio, quando sente o extremo bem estar, e a certeza de ter cumprido da melhor forma todas as etapas que precedem sua partida.
O navegador não gosta de falar de solidão e compara suas expedições solitárias como exercícios de criatividade: “Ter que aprender a navegar durante dias com ventos catabáticos, enfrentar ondas gigantescas, e viver sozinho durante meses num mar congelado, nunca me fez sentir nem uma ponta de medo. Pior seria ter ficado em paz e sossego em casa, na sombra de um coqueiro, e nunca ter partido”.
Para fazer o mundo como imaginamos termos que buscar exercitar nossa criatividade. O atual desafio que o mundo enfrenta é unir diferentes componentes em um único arranjo econômico e torná-lo um empreendimento. Idealizar soluções e colocá-las em prática.
“Muita gente me pergunta sobre a tecnologia embarcada no veleiro Paratii2. O barco, que veio a se tornar um dos mais modernos veleiros do mundo, é o resultado de observação do conhecimento antigo, existente no Brasil há muitos anos: Ele foi inspirado na jangada de Piúba do Ceará. Foi nela que encontrei um dos muitos exemplos da criatividade tipicamente brasileira com a qual o país convive, mas que aos poucos vai se esquecendo de enxergar” declara Amyr Klink.
LEONARDO BOFF>
Teólogo, Escritor e Professor
09/jul/09 - 20 horas
0 MUNDO MODERNO E AS PROPOSTAS DE REALIZAÇÃO DA FELICIDADE INDIVIDUAL
A felicidade é um dos bens mais ansiados pelo ser humano, mas juntamente com a paz não são construídas pelas riquezas materiais e pelas parafernálias que nossa civilização materialista nos apresenta. No ser humano ela vê apenas o produtor e o consumidor. O resto não lhe interessa.
A lei do sistema dominante é: quem não tem, quer ter, quem tem, quer ter mais, quem tem mais diz: nunca é suficiente. Esquecemos que o que nos traz felicidade é o relacionamento humano, a amizade, o amor, a generosidade,
A felicidade resulta de algo anterior: da essência do ser humano e de um sentido de justa medida em tudo. Essa essência reside na capacidade de relações. Ele é um nó de relações, uma espécie de rizoma, cujas raízes apontam para todas as direções. Só se realiza quando ativa continuamente sua panrelacionalidade, com o universo, com a natureza, com a sociedade, com as pessoas, com o seu próprio coração e com Deus.
"Hoje nos encontramos numa fase nova na humanidade. Todos estamos regressando à Casa Comum, à Terra: os povos, as sociedades, as culturas e as religiões. Todos trocamos experiências e valores. Todos nos enriquecemos e nos completamos mutuamente. (...)
(...) Vamos rir, chorar e aprender. Aprender especialmente como casar Céu e Terra, vale dizer, como combinar o cotidiano com o surpreendente, a imanência opaca dos dias com a transcendência radiosa do espírito, a vida na plena liberdade com a morte simbolizada como um unir-se com os ancestrais, a felicidade discreta nesse mundo com a grande promessa na eternidade. E, ao final, teremos descoberto mil razões para viver mais e melhor, todos juntos, como uma grande família, na mesma Aldeia Comum, generosa e bela, o planeta Terra."
RENATO JANINE RIBEIRO>
Professor de Ética e Filosofia Política na USP e Escritor
10/ago/09 - 20 horas
A ESTÉTICA DA SUPERFICIALIDADE - A SUPERVALORIZAÇÃO E O ESQUECIMENTO DA JUVENTUDE
Vivemos um período em que o importante é o superficial, enquanto o aprofundamento se tornou aborrecido? Talvez haja um exagero nessa oposição, mas o fato é que algo, sim, é hipervalorizado em nosso tempo e sociedade: a juventude. Faz quase trinta anos, um amigo meu comentava que no Brasil a publicidade se dirigia ao jovem, e na Alemanha (ou na Europa em geral) à pessoa madura. Havia uma lógica na publicidade européia: quem tem dinheiro geralmente tem mais idade. Mas a lógica que venceu foi a da nossa publicidade, e ela quer dizer o seguinte: mesmo as pessoas com mais idade se imaginam mais jovens, querem ser mais jovens. O ideal de nossa sociedade é uma perpétua juventude. Mas isso é possível?
Está na hora de fazermos um balanço das idades. A expectativa de vida aumentou muito nos últimos cem anos. Praticamente dobrou. Quem seria velho, um século atrás, hoje tem muita vida pela frente. Doenças que matavam hoje são fáceis de curar. O corpo pode ter energia mesmo com muitos anos já vividos. Mas o que isso quer dizer não é que devamos nos fingir de jovens, e sim que um sonho antigo, quase um chiste, está-se tornando viável: que possamos associar o vigor da juventude com a experiência da maturidade.
Isso está muito longe de supervalorizar a juventude como os comerciais fazem, ou de esquecer o que nela é importante. Porque o importante da mocidade é experimentar. Quem tem idade tem experiência. Quem tem mocidade pode fazer muitas experiências. Se soubermos aproveitar esse tempo livre da juventude para buscar caminhos novos, e o tempo longo da maturidade para fazer render o que aprendemos, quem sabe conseguiremos dar novos e preciosos sentidos às fases da vida.
WASHINGTON NOVAES>
Jornalista e Escritor Especialista em Meio Ambiente e Culturas Indígenas
14/set/09 - 20 horas
A IDADE DOS LIMITES: POR UMA NOVA CULTURA NA RELAÇÃO COM A NATUREZA
Vivemos um novo tempo. Não se trata mais de proteger o meio ambiente, apenas; trata-se de não ultrapassar limites perigosos.
Kofi Annan, ex-secretário-geral da ONU: “Os problemas centrais do nosso tempo são mudanças climáticas e padrões de consumo de recursos naturais além da capacidade de reposição do planeta. Esses dois problemas ameaçam a sobrevivência da espécie humana.”
Então, com esses dois problemas crescendo de ano para ano, vivemos uma crise do padrão civilizatório. Teremos de criar novos formatos de viver, adequados às possibilidades do planeta.
Tudo terá de mudar: matrizes energéticas, padrões de construção, matrizes de transporte, formatos agropecuários. E a comunicação, que informe e prepare a sociedade para estas mudanças.
Mas também será preciso que o ser humano entenda que ele não é apenas cultura, é também natureza. Somos feitos de água e ar transformado em sangue, minérios transformados em massa muscular, biodiversidade transformada em alimentos. O que acontecer ao solo, à água, ao ar e à biodiversidade acontecerá no corpo humano.
ZUENIR VENTURA>
Jornalista e Escritor
05/out/09 - 20 horas
VIOLÊNCIA E CULTURA: AS VÁRIAS FACES DA VIOLÊNCIA NO BRASIL E SUAS RELAÇÕES COM A CULTURA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA.
A proposta de minha palestra é refletir junto com a platéia sobre o fenômeno da violência em geral e sobre a violência urbana em especial, um dos temas mais angustiantes desse mundo pós-moderno. Esse flagelo fez a travessia do século XX para o século XXI ao lado de outras mazelas como AIDS, terrorismo, narcotráfico, contrabando de armas e fundamentalismo religioso, todos indesejáveis parentes entre si.
O Brasil, como se sabe, não está livre desse mal-estar da civilização que, ao contrário, encontra-se banalizado entre nós, sem que se consiga combatê-lo devidamente. Temos vivido de susto e de perguntas sem respostas. A violência que se observa nas ruas do Brasil é de nascença ou adquirida, natural ou cultural, já existia antes do descobrimento ou foi trazida pelos nossos conquistadores? Colegas estrangeiros costumam colocar essas e outras questões desconcertantes. Eles não entendem como um povo tão receptivo e hospitaleiro pode ser o contrário disso no dia-a-dia. Afinal, o brasileiro é cordial ou violento?
A expressão “homem cordial”, criada pelo escritor Ribeiro Couto e difundida pelo historiador Sergio Buarque de Holanda, não quer dizer cortês, afável e cordato, mas o que é movido pelos impulsos elementares e contraditórios do coração (em latim, “cor” “cordialis”), o que age de acordo com ele e não com a cabeça.
Isso ajuda a compreender um pouco a Cultura da Violência que nos domina com suas práticas que fazem da agressividade gratuita e da crueldade um padrão cujos exemplos mais aberrantes são os pit-boys que põem fogo em mendigos e índios, os filhos de famílias abastadas que se divertem espancando homossexuais, os motoristas que matam por um arranhão no carro, a histeria das torcidas organizadas, o prazer quase erótico da porrada, o gosto mórbido de sangue.
Enfim, espero demonstrar que, como se trata de uma cultura, portanto difusa e onipresente, não adianta atacar apenas os sintomas. É preciso cuidar das raízes, ir às causas.
LALA DEHEINZELIN>
Produtora e Consultora Cultural
19/out/09 - 20 horas
ECONOMIA CRIATIVA: AS POSSIBILIDADES DE NEGÓCIOS E EMPREENDIMENTOS NO MUNDO DA CULTURA, DO ENTRETENIMENTO E DO LAZER
Vivemos a época da transição de uma vida organizada em torno de recursos materiais, tangíveis e portanto finitos, para uma era cujo dinamismo está nos recursos imateriais, intangíveis, que são infinitos. Vale lembrar também que criatividade e conhecimento são os únicos recursos que não se esgotam, mas se renovam e multiplicam com o uso. E mais: constituem o mais poderoso instrumento de competitividade num mundo globalizado. Esta é uma das razões da importância da chamada Economia Criativa, um setor estratégico que, segundo dados da ONU, já é responsável por 10% do PIB mundial e cresce 4x mais que a manufatura e 2 vezes mais que a industria.
Nesta palestra Lala nos apresenta seu modelo de trabalho, que liga Economia Criativa à Desenvolvimento Local e Sustentável e tem sido a razão de seu sucesso como consultora e palestrante internacional. Depois serão apresentados os fatores estratégicos para atuar neste tema , explicados por exemplos vindos de práticas referência do Brasil. Finalmente, fecha com as possibilidades e oportunidades apresentadas por este setor que é considerado a grande estratégia de desenvolvimento do século XXI.
CRISTOVAM BUARQUE>
Senador da República e Escritor
16/nov/09 - 20 horas
A CULTURA COMO PARTE DA FORMAÇÃO EDUCACIONAL DOS BRASILEIROS
O primeiro erro foi separar a ética do conhecimento científico. O resultado foi um cérebro capaz de criar uma bomba atômica e de usá-la contra populações. O segundo foi separar o conhecimento do sentimento estético. Fazendo com a que a matemática fosse mais valorizada como a linguagem da ciência, do que por sua beleza poética.
Como conseqüência destes dois erros, a educação foi se afastando da cultura. Passamos a ter dois universos separados: do aprendizado do conhecimento cerebral e da prática dos sentimentos. O deslumbramento foi afastado da escola. Chegamos ao ponto de qualificar o bom professor e intelectual pela palavra “sério”, como se a alegria e a beleza não fizessem parte do saber. O resultado é um ensino deficiente que pode informar sem formar, que pode dar conhecimento sem dar a espiritualidade da cultura.
Qualquer reforma conseqüente ( eu ia dizendo “séria” ) na educação deve trazer a cultura como parte do processo e como objetivo da realização educacional. A escola tem que se completar. Cada vez mais as salas de aulas combinando com os palcos de teatro, o ensino da matemática com o exercício da poesia, o esporte casando com o cinema. Sem isto, corremos o risco de uma deformação do aprendizado apenas em uma parte do cérebro e, ainda pior, deixando de aproveitar a verdadeira razão do conhecimento que são deslumbramento com a beleza, indignação com as injustiça, respeito e a solidariedade com os seres humanos e toda a natureza, a alegria de viver.
A cultura é a razão de ser da educação e o caminho mais perfeito para ela.
SÉRGIO AMADEU>
Sociólogo, Professor, Escritor e Especialista em Mídia Digital
30/nov/09 - 20 horas
MÍDIA SOCIAL: O FENÔMENO TRANSFORMADOR NAS COMUNICAÇÕES CONTEMPORÂNEOS
A expressão Mídia Social é uma buzzword, mas sua origem pode esclarecer o processo transformador que vivenciamos na comunicação. Este processo supera a relação emissor-receptor avançando em direção à constituição de interagentes. Além disso, inverte o ecossistema comunicacional, reduzindo as barreiras e custos para falar e aumentando enormemente as dificuldades de ser ouvido, o que gera uma nova economia da atenção. A emergência desses fenômenos pode ser encontrada no desenvolvimento das redes informacionais, que baseadas na metalinguagem digital, constituem o cenário de convergência, interoperabilidade e ubiquidade que viabilizam diversas práticas colaborativas na Internet, bem como, tornam as audiências cada vez mais ativas e participantes. As características, o genêro e os modelos de mídias sociais serão discutidos na palestra Mídias Sociais: o fenômeno transformador nas comunicações contemporâneas. Também serão definidos e exemplificados os repositórios de conteúdos, blogs, wikis, redes P2P, tags, feeds, Add-ons, além de explorar seus vínculos com as redes de relacionamento. Os processos de colaboração, cooperação e participação serão analisados em sua relação com mecanismos de filtragem, escolha e de reputação.
MV BILL>
Rapper, Produtor Cultural e Escritor
7/dez/09 - 20 horas
O PODER QUE VEM DA PERIFERIA: EXPRESSÕES CULTURAIS QUE SE ARTICULAM E MUDAM O MODO DE VIDA DAS SOCIEDADES
No ano de 2000 MV Bill começou a desenvolver mais uma vertente de sua carreira: realizar palestras por todo o Brasil. Os temas abordados giram em torno da infância vivida na favela e o rico processo de pesquisa que gerou os livros já escritos e material levantado para as publicações ainda por vir.
No Seminário Diálogos Contemporâneos, MV Bill apresenta um panorama do movimento cultural que surpreende e é resultado da vida social, da aprendizagem, de tudo aquilo que os moradores das favelas adquirem no convívio nas comunidades e que expressa um novo sistema de valores. São os saberes construídos pelos moradores, em sua longa e intensa caminhada por uma vida mais plena.
MV Bill mostra o seu olhar sobre a periferia pelo parâmetro da presença. No lugar de um local sempre visto pela ausência da cultura, contraposto a um determinado ideal de urbanidade ou de civilização; a comunidade se revela através de formas culturais ativas e contrastantes, criando um espaço inusitado que constitui a cidade sob outra perspectiva e valoriza a diversidade cultural.
No encontro, MV Bill exibe o documentário Falcão – meninos do tráfico, fala sobre do processo criativo envolvendo esse trabalho. Mostra também alguns videoclipes de sua carreira musical e finaliza a apresentação abrindo espaço para perguntas vindas da platéia.